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terça-feira, 13 de maio de 2008

Rumos da Programação

Desenvolvedores de software (vulgarmente conhecidos como programadores) são pessoas singulares. Ao mesmo tempo em contato com alta tecnologia são também pessoas capazes de expressar grande sensibilidade e um espírito passional muito grande. Não bastasse a paixão pelo que fazem (até aí poderíamos dizer que não há nada de especial, pois há muitos profissionais apaixonados por sua atividade), é peculiar também a paixão que eles transferem para as ferramentas que utilizam e seus fornecedores.

Para que o leitor entenda o que aconteceu no mercado de desenvolvimento de software em fevereiro de 2006, farei uma breve introdução teórica.

No processo de desenvolvimento de software distingue-se quatro partes a grosso modo: 1. análise, 2. projeto, 3. desenvolvimento e 4. testes. O desenvolvedor participa prioritariamente na fase 3. As fases 1, 2 e 4 ficam a cargo de analistas de sistemas, projetistas e engenheiros de software. Essas fases são chamadas de Ciclo de Vida do Desenvolvimento de Software. Uma grande fabricante de software chamada Borland (www.borland.com.br) criou uma série de ferramentas para as fases 1, 2 e 4 e chamou-as de ALM (Application Lifecycle Management). O ALM seria a ferramenta de trabalho dos Analistas e Engenheiros de Software.

Já a ferramenta de trabalho básica de um desenvolvedor é a “linguagem de programação”, também chamada de IDE (Integrated Development Enviroment), que é resumidamente um programa que faz programas, (foi com uma linguagem de programação que foi feito este navegador ou este editor de textos no qual você está lendo essas minhas linhas). Existem dois grandes fabricantes de linguagens no mundo: a Borland (já citada) e a Microsoft (www.microsoft.com.br), que produzem as duas mais conhecidas linguagens de programação do mundo: o Delphi e o Visual Basic, respectivamente. Ocorre que os desenvolvedores (muito mais que os Analistas e Engenheiros) amam as suas linguagens e admiram seus fabricantes. Eles compram camisas com o logotipo da linguagem, bonés com a marca do fabricante, canetas, canecas, mochilas e toda a sorte de apetrechos que o diferenciem do “outro”, desprezível e menor desenvolvedor que usa a “outra” linuguagem. Freqüentam eventos, se reúnem e se encontram discutindo quão pior a “outra” linguagem é que a sua.

O fato é que o mundo de desenvolvimento há muitos anos atrás se dividiu ao meio, entre: Borland Delphi x MS Visual Basic (hoje chamados Borland Delphi Studio e MS Visual Studio). E as duas comunidades não se bicam muito. Há uma certa rivalidade. (Nada que se compare ao futebol, absolutamente!).

Essa introdução foi para situar o leitor, para que tendo em vista esse cenário, se possa imaginar o impacto que pode causar na cabeça de um desenvolvedor Borland a seguinte notícia:

“Os desenvolvedores sempre terão papel importante no ciclo de vida da aplicação, mas os mercados de ALM e de IDE são muito diferentes – requerendo modelos comerciais distintos, distintas estruturas operacionais e de marketing e uma equipe de R&D com foco”, disse Nielsen. “Os dois mercados são importantes, mas a Borland já não pode mais dar aos dois os recursos e a atenção de que ambos necessitam. Assim, a Borland decidiu focar suas atenções totalmente para o mercado de ALM, assim protegendo os interesses da comunidade de desenvolvimento. Queremos criar uma empresa independente focada no avanço da produtividade de desenvovedores independentes.” A Borland contratou os serviços Bear, Sterns & CO. Inc. para o gerenciamento da identificação de um comprador para os seus recursos IDE.
Fonte: www.borland.com/br/...borland_acquires_segue_software.html, consultado em 22/01/2006.

Tod Nielsen é presidente da Borland e de uma maneira muito sutil, educada e delicada, anunciou: “estamos vendendo o Delphi”! Ou seja, não haverá mais um Borland Delphi. Haverá um “Xxxxxxx Delphi”, mas Borland Delphi não. A Borland não tem mais tempo para linguagens de programação e não pode dar mais atenção a esse mercado.

Já não desenvolvo profissionalmente há dois anos e meio, e quando desenvolvia utilizava MS Visual Basic. E com certeza eu ficaria triste em saber que a MS venderia o Visual Basic (VB para os íntimos). Pois tudo isso que eu disse acima também se aplica a mim quando eu desenvolvia e até recentemente (quando ganhei uma camisa do Gerente de Desenvolvimento da Microsoft).

Mas uma medida dessa leva anos para impactar diretamente na vida da massa dos desenvolvedores. Quando algo acontece nesse mercado, os desenvolvedores top de linha e em contato direto com a Borland sofrem primeiro esse impacto e repassam sua experiência para o restante da turma, que sofre por antecipação.

O que vai acontecer com o Delphi (e todas as outras linguagens da Borland), não se sabe. Se o Visual Basic vai dominar o mercado de vez (hoje ele é líder no seu segmento), também não dá para saber.

Um aspecto me chama a atenção: a demanda que a Borland teve com o que realmente interessa no desenvolvimento de software: o projeto. Se a Borland tomou uma decisão como essa é porque há muita gente interessada em pagar (e muito!) para ter soluções de ALM. Há um mercado para isso. Até então os Engenheiros e Analistas, não possuíam em um só pacote um conjunto tão completo de ferramentas como pretende ser o ALM. Pode haver uma polarização das maiores fabricantes de software do mundo: a Microsoft de um lado com linguagens de programação e a Borland de outro com ferramentas de análise. Quem vencerá: quem faz a ferramenta do engenheiro ou quem faz a ferramenta do pedereiro?

Um comentário:

Vlademir Mendes disse...

Olha Cabral, gostei muito do artigo que você publicou aqui, é muito interessante. Sobre a sua pergunta no final, minha resposta é a ferramenta do engenheiro. Porque é a revolução da ferramenta do pedreiro. Olhando bem, evoluir uma criação é bastante científico.

Estarei sempre aqui no seu blog, você escreve muito bem. Nós internautas precisávamos de um blog desse tipo.

Valeu! Continue assim.